A história do Karate Kyokushin Oyama

A história do Karate Kyokushin Oyama

Karate Kyokushin Oyama no Mundo

Segundo o site oficial da Federação Gaúcha de Karate Kyokushin Oyama (2005), Kyokushin é formado por dois ideogramas "Kyoku" (puro, aprofundar) e Shin (verdade) que, em conjunto, significam "Aprofundar-se na Verdade". Porém, segundo The Official Canadian Kyokushinkai-kan Karate Organization Website (2005), originalmente o ideograma de "shin" era escrito de forma que significava coração, mas foi alterado pois, Kyokushin escrito desta, forma significava Coração Puro, que era um grupo "Yakuza" (máfia japonesa) muito conhecido.

Este estilo é reconhecido como um dos mais eficientes, em termos de combate, estilos de Karate, pois, segundo García (2003), Karate Kyokushin baseia-se em pontos e círculos, e não em retas, dos quais deriva a espetacular força de seu sistema. Além disso, Tsatsouline (2004), citando Oyama, coloca que o treinamento do Karate Kyokushin é centrado no abdômen, pois segundo Oyama (apud Tsatsouline, 2001) aquele que falha em conseguir maestria no controle da respiração, não consegue fazer nada além de alguns truques simples, não atingindo a verdadeira essência do Karate.

Oyama (1980a) considera que apesar de as técnicas do Karate serem voltadas para combate, o Karateka deve entender que o Karate foi criado para evitar combates e não para causa-los.

Oyama (1968) coloca que todo Karateka (praticante de Karate) deve aprender cuidar de seu corpo e entender como transformá-lo em uma potente e precisa arma de combate. Além disso, Oyama (2004) coloca que é muito importante manter-se uma postura adequada para poder-se utilizar toda a potencia dos golpes, independente de qual arma do corpo seja utilizada.

Lorden (2000) coloca que o propósito do Karate Kyokushin não é apenas aprender defesa pessoal, ou ficar fisicamente mais forte, ou descobrir quem dá o soco ou o chute mais forte, ou quem faz o melhor "kata", mas sim fazer com que cada praticante se torne uma pessoa melhor, ou seja após cada treino, quando o aluno retorna para sua casa ele deve ser uma pessoa melhor do que era antes de realizar o treino.

Isto quer dizer, indivíduos que praticam Karate Kyokushin não devem ser apenas ótimos praticantes de Karate mas sim, ótimos indivíduos, dentro e fora do "dojo".

Bluming (2005) coloca que, no ano de 1953, Mas Oyama ensinava seu Karate, em seu primeiro "dojo", em um terreno baldio em Mejiro (Tokyo). Em 1954, Oyama realizou uma apresentação no Havaí, aonde conheceu um de seus mais renomados alunos, e seu primeiro "uchi-dechi" (aluno interno) Bobby Lowe, na época praticante de Kempo. Atualmente, Bobby Lowe (8º dan) é o presidente do Comitê Internacional da International Karate Organization (Garcia, 2003).

A organização Kyokushin Kaikan foi fundado por Masutatsu (Mas) Oyama, em 1956 (Garcia, 2003), quando o primeiro "dojo" de verdade foi aberto, em um antigo estúdio de ballet, nos fundos da Rikkyo University. De acordo com Bluming apesar do rigor dos treinos e do elevado número de evasões, em 1957, Oyama tinha 700 alunos matriculados em seu "dojo".

Kato citado por Yussof, (2005), dizia que o Karate de Oyama evoluiu muito devido ao fato de lutadores de outros estilos de Karate, bem como de outras artes marciais, virem praticar jinsen kumite (luta com contato total, sem equipamento de proteção) no "dojo" de Oyama, pois ele aproveitava para aprender novas técnicas que poderiam ser úteis em situações reais de combate.

De acordo com Garcia (2003), em 1958 Oyama abriu a primeira delegação fora do Japão, no Havaí, e deixou Bobby Lowe encarregado de administra-la. Três anos mais tarde Oyama propõe ao seu aluno Jon Bluming, que ele introduza o Karate Kyokushin na Europa.

Jon Bluming é uma das grandes lendas das artes marciais e na época em que Oyama pediu pra que ele introduzisse o Karate Kyokushin na Europa ele treinava na Kodokan (central mundial do Judô) e era considerado um dos melhores judokas da época (Bluming, 2005).

Garcia (2003) coloca que somente em 1962 o Karate Kyokushin chegou a Europa, quando Bluming fundou o "dojo" Budokai, em Amsterdã (Holanda), quando Bluming já era 6º dan (sendo o primeiro pupilo não japonês de Oyama a obter este grau) de Karate Kyokushin. Nesta época Oyama lançou um desafio internacional: quem derrotasse Jon Bluming em combate receberia 100.000 dólares em recompensa, além disso Oyama abandonaria o Karate. Somente uma pessoa aceitou este desafio, Kwan Mo Gun, e foi rapidamente derrotado (Bluming, 2005).

No ano de 1962, Isobe abriu o primeiro "dojo" de Kyokushin no Brasil (Federação Paulista de Karate Kyokushin Oyama, 2005b). Durante o ano de 1963, Oyama viajou pela Europa, Estados Unidos e América do Sul, para promover o Karate Kyokushin, para comemorar o inicio construção da nova sede do Karate Kyokushin, (IKO Kyokushinkaikan Official Website, 2004).

Segundo Garcia (2003), em 1966 Oyama envia Shigeru Oyama para os Estados Unidos, em 1967 Sato é enviado para Austrália. Em 1969, foram criadas as federações da África e do sudeste da Ásia (Oriente Médio). Já no ano de 1975 foi criada a Organização Européia de Kyokushin (EKO), cujo primeiro presidente foi Loek Hollander (atualmente 8º dan), que assim como Bluming, foi um dos maiores divulgadores do estilo na Europa (Garcia, 2003).

Segundo Isobe (2005) em 1975, nos dias 1º, 2 e 3 de novembro, foi realizado o primeiro Campeonato Mundial, no qual sagrou-se campeão Katsuaki Sato, e em segundo lugar ficou Hatsuo Royama.

Também de acordo com Isobe (2005) o segundo campeonato mundial foi realizado em 23, 24 e 25 de novembro de 1979, neste campeonato sagrou-se campeão Makoto Nakamura e em segundo lugar ficou Keiji Sanpei.

Em 20, 21 e 22 de janeiro de 1984, foi realizado o terceiro campeonato mundial, o qual teve o mesmo resultado do campeonato anterior, com Akiyoshi Matsui em terceiro lugar e o brasileiro Ademir da Costa em quarto, sendo ele o primeiro brasileiro a ter destaque em competições internacionais (Isobe, 2005).

Isobe (2005) coloca que no quanto campeonato mundial, que ocorreu em 6, 7 e 8 de novembro de 1987, e Akiyoshi Matsui foi o grande campeão (e mais tarde veio a tornar-se o sucessor de Oyama na direção da International Karate Organization) e Andy Hug ficou em segundo lugar. O brasileiro Ademir da Costa ficou em quinto lugar.

Em 1991, foi realizado o quinto campeonato mundial, nos dias 2, 3 e 4 de novembro em Tokyo. Kenji Midori foi o campeão e Akira Masuda, ficou em segundo lugar. Segundo Isobe (2005), o brasileiro Francisco Alves Filho recebeu o premio "Fighting Spirit", pelas árduas lutas que teve e obteve vitória, e mesmo na luta em que perdeu demonstrou muita garra.

No sexto campeonato mundial (o primeiro após a morte de Oyama e a criação de novas facções do Kyokushin), realizado em 3, 4, 5 de novembro de 1995, Kenji Yamaki sagrou-se campeão, Hajime Kazumi ficou em segundo, o brasileiro Francisco Alves Filho em terceiro. Outros brasileiros que obtiveram ótimos resultados foram: Luciano Basile e Glaube Feitosa, sétimo e oitavo lugares respectivamente (Isobe, 2005).

Segundo Isobe (2005), o melhor resultado obtido por um lutador não japonês em mundial foi obtido no sétimo campeonato mundial, realizado em 3, 4 e 5 de novembro de 1999. Neste campeonato Francisco Alves Filho sagrou-se campeão mundial ao derrotar Hajime Kazumi na final, outro brasileiro que obteve posição de destaque foi novamente Glaube Feitosa, desta vez ficando com a quarta colocação.

O último campeonato mundial foi realizado em 1, 2, e 3 de novembro de 2003, e nele Hitoshi Kiyama recuperou o orgulho japonês ao levar o título mundial novamente para o Japão ao derrotar Sergey Plekhanov, da Rússia na final. Os brasileiros Ewerton Teixeira e Glaube Feitosa terminaram o campeonato na terceira e quarta posições respectivamente (Isobe, 2005).

Segundo Lorden (2000), com a morte de Oyama em 1994, muitos dos membros do comitê internacional não aceitaram a carta-testamento deixada por ele, na qual indicava o nome de Akiyoshi Matsui como seu sucessor, e dessa forma criaram suas próprias International Karate Organizations (IKO-2 sob a responsabilidade de Kenji Midori, IKO-3 sob a responsabilidade de Yoshikazu Matsushima e IKO-4 sob a responsabilidade de Toru Tezuka).

Chegou a ser sugerido por Rogers, citado por Bluming (2005), que Oyama havia criado este tumulto para que o Karate Kyokushin não sobrevivesse a sua morte. Atualmente o Karate Kyokushin Oyama (IKO-1) está presente em mais de 140 paises, tendo mais de um milhão de adeptos em atividade (Fighter in the Wind, 2004). Sendo que mais de 200.000 desses adeptos estão localizados na Rússia, 65.000 no Japão e apenas 5.000 no Brasil (Isobe, 2005).